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Cotidiano Ontem, 19:00, perto da Radial Leste, depois de muitas voltas tentando achar a Universidade São Judas. Eu já pensando comigo mesma que deveria ter escolhido uma profissão mais sensata. Uma encruzilhada. Minha mãe: "e agora, pra que lado eu vou?". Eu: "pra frente, lógico!"(afinal, era a continuação lógica da rua em que estávamos, que deveria ser a rua da faculdade). Eu, de novo: "não seria engraçado se quando eu olhasse pra rua de trás, tivesse uma placa da são judas?". Adivinha o que eu vi quando olhei para a rua de trás?Uma placa gigante e luminosa, dizendo: Universidade São Judas Tadeu. E do lado, um relógio gigante e luminoso também: 19:10. Claro que a manifestação que eu tinha que cobrir começava as 19:00. Desci do carro e fui andando atrás dos sinais de neon da Zona Norte paulistana. Chego lá sem a menor idéia de onde vai ser o ato. Depois de andar pela faculdade toda, descubro o óbvio: é na porta. Tudo bem, pelo menos eu não estou atrasada, vai começar às 19:30. Na verdade, de fato, acaba começando depois das 20:00. Demora para andar, mas quando finalmente começa...foi ótimo! Estar perto das pessoas, e ficar pensando como eu vou fazer para depois relatar tudo aquilo que eu vi, que eu ouvi, que eu gravei, anotei. Enfim, é por isso que eu gosto, sim, de ser jornalista, apesar de tudo. Se não fosse por isso, não estaria num lugar completamente inusitado, e não conheceria, com toda a certeza, as pessoas que conheço. Incrível. E nada sensato. "Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade. Ninguém que não a tenha sofrido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida. Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, a demolição moral do fracasso. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fosse para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte". Gabriel Garcia Márquez Dia 07 de abril: Dia do jornalista! Escrito por mim mesma às 05:27:32 PM [ ] [ envie esta mensagem ] |
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